quinta-feira, 7 de maio de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

ADORAÇÃO


"Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar. Disse-lhe Jesus: Mulher, pode crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.20-24).

Dando continuidade ao Seu ministério terreno, o Senhor Jesus foi para a Judéia, dirigindo-se a uma região nas proximidades do Mar Morto. Ali foram tantas as pessoas que acolheram a Sua mensagem, que os fariseus ficaram alarmados ao ouvir dizer que Jesus estava batizando mais fiéis que sue primo João. Em vez de tentar enfrentar essa ciumeira religiosa, e não estando nem um pouco interessado em ter o ministério mais popular de seus dias, Ele decidiu regressar à Galiléia, a região do grande lago.

Naturalmente a viagem era feita a pé, e eles tiveram que atravessar Samaria. Mais ou menos pelo meio da travessia, Jesus cedeu ao cansaço e sentou-se junto ao poço de Jacó, perto de Sicar, cidade samaritana, enquanto seus discípulos iam à cidade comprar alguma coisa para comerem. Nesse ínterim, chegou uma mulher da cidade que vinha buscar água, e Jesus pediu-lhe que desse de beber.

Esse pedido tão simples, aliás, bastante comum no Oriente, deu início a uma conversa séria entre Jesus e a mulher. As palavras do Senhor provocaram na samaritana algumas indagações, e ela acabou confessando que mantinha uma união adulterina. Foi nesse contexto que Jesus proferiu seu principal ensino sobre adoração, registrado nas Escrituras.

Nesse diálogo, Jesus nos oferece um padrão, um meio correto para avaliarmos a autenticidade ou qualidade de nossa adoração. Por exemplo, em nosso País existe um “Instituto Nacional de Pesos e Medidas”. Nessa repartição, encontram-se amostras-padrão de medidas de tempo, volume, peso e distância. Uma grama, por exemplo, tem de ser igual em todo o país; tem de pesar exatamente o mesmo que o modelo encontrado nesse instituto. O que determina, por exemplo, o volume de líquido equivalente a um litro é um padrão pré-estabelecido. Nenhum cidadão pode determinar esse volume a seu bel-prazer.

Pois bem; Jesus afirmou o seguinte em João 4.23-24: “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

Infelizmente a igreja vem permitindo que alguns indivíduos e certos grupos imponham suas próprias regras para determinar a autenticidade da adoração. Alguns a avaliam pela sua beleza; outros, pela freqüência com que é praticada a ida à igreja; outros pela duração. Mas Jesus nos dá sete padrões distintos para aferirmos a autenticidade de qualquer adoração.

AFERIR - Conferir (pesos e medidas) com o padrão oficial.

Primeiro padrão - Não existe um lugar geográfico para se adorar a Deus (Jo 4.20-21).

“Adorar”, disse William Temple “é despertar a consciência a respeito da santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purgar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração para o amor de Deus e devotar a vontade ao propósito de Deus”.

A mulher do poço de Jacó considerava a adoração uma questão de conformidade exterior. Cristo, porém, ensinou que era uma questão de espírito e verdade. Os judeus adoravam em Jerusalém, os samaritanos, no monte Gerizim. A partir daquele tempo, a adoração não seria mais restrita a um local geográfico. Não seria mais uma questão de estar no templo ou no monte certo.

Muitas vezes supomos que temos de estar na igreja para adorar. Aprendemos que o edifício da igreja é a “casa de Deus”, mas essa idéia pode levar a certos equívocos. No Antigo Testamento, Deus habitava no templo; Sua glória permanecia no Lugar Santíssimo. Deus, porém, desagradou-se dessa adoração feita no templo de Jerusalém. Da mesma maneira, a adoração feita em templos e em catedrais hoje também não o impressiona.

Hoje, o lugar santíssimo é o corpo de cada cristão (1Co 3.16-17, 6.19-20, 2Co 6.16-7.1). A adoração pode ocorrer em qualquer lugar; estamos sempre na presença de Deus, e Ele está sempre aberto para nossa adoração. Um fato que chama atenção é de que o Pai não está procurando “Louvadores”, e nem busca “adoração”, mas, sim, “adoradores”, gente comprometida e dedicada a render-lhe adoração.

Segundo padrão - toda adoração tem que ser dirigida a Deus (Jo 4.23).

O primeiro item a ser verificado para se determinar a validade de um ato de adoração é quem é o objeto dela. Se ficar demonstrado claramente que o objeto de tal adoração não é Deus, conclui-se que ela é falsa, por mais bela, tocante e bem elaborada que seja. Talvez você diga: mas isso é o lógico. Mas acontece que em algumas igrejas, parece que se adora a adoração, e não a Deus.
Outros adoram a sensação agradável que a adoração lhes proporciona. Há ainda outros grupos que nem mesmo especificam o objeto de sua adoração (grupos “evangélicos” que cantam músicas que não falam sequer no nome do Senhor). Há comunidades que convergem sua adoração para o pastor. Mas isso é culto a personalidade e não adoração a Deus.

Ao declarar que os verdadeiros adoradores adorariam ao Pai, Jesus não estava excluindo nem a si próprio, nem o Espírito Santo. Pois tanto Jesus, quanto o Espírito Santo também são Deus. Leia Cl 1.15-19, Ap 5.1-14, At 5.1-4.

Terceiro padrão - conhecer a Pessoa a quem se adora (Jo 4.22).

A mulher levantou uma questão que na verdade era secundária: onde se deveria adorar, no monte de Samaria ou no templo em Jerusalém? Mas Jesus levou a discussão para outro aspecto da questão: conhecer a Pessoa a quem se adora. E de lá para cá, esse padrão não foi alterado. O ponto mais importante da adoração ainda consiste no seguinte: será que conhecemos aquele a quem adoramos? Não se trata de apenas de elaborar uma liturgia e depois inserir o nome de Deus, não. Temos que conhecer a Deus e adorá-lo a partir desse conhecimento.

Observe o que Paulo falou aos atenienses em At 17.22-23. É bem provável que estejamos precisando que alguns Paulos passem por nossas igrejas e apresentem aos membros o Deus a quem eles dedicam seus templos e expressam seu louvor. Será que podemos exaltar o invisível, engrandecer o desconhecido, amar o não revelado, e cultuá-lo de modo satisfatório?

O expresso propósito da vinda de Jesus à Terra foi revelar-nos o Pai. Portanto quanto mais conhecermos Jesus, mais conheceremos o Pai (Jo 14.6-10).

Deus busca para si adoradores dentre aqueles cujo espírito já tenha sido iluminados por Jesus e pelo Espírito Santo, estando, portanto capacitados para adorá-lo em espírito e em verdade.

Quarto padrão – o Pai procura “verdadeiros” adoradores (Jo 4.23).

Se Jesus falou que o Pai procura os “verdadeiros adoradores” é porque existem os falsos adoradores, e isso não vem de hoje. Na época de Jesus os homens mais religiosos eram os escribas e fariseus, no entanto, eram os que mais estavam distantes de Deus. Observe o que Jesus falou deles em Mateus 23.1-12.

Ainda hoje o que mais encontramos são falsos adoradores. Pessoas que aparentam ser servos consagrados e não passam de lobos devoradores. Há alguns indivíduos que se disfarçam de várias maneiras para tirar proveito de algo ou de alguém, assim como os fariseus e os escribas faziam. É por isso que, mais do que nunca, necessitamos do dom de “discernimento de espírito” (1Co 12.10).

O ser humano tornou-se craque em usar todo tipo de disfarce, para que os outros não saibam como ele é na realidade. Ou então os emprega para ocultar algo que não deseja que ninguém saiba.

Para sermos adoradores, da maneira que Deus procura, temos de tirar a máscara. Temos que consertar o coração. Precisamos desmascarar-nos, e nos mostrar sinceros diante de Deus. E uma das máscaras mais populares, hoje, e até das mais eficazes, é da religião. Com ela fica mais fácil ocultar a realidade. Basta que coloquemos uma fachada de santidade, aparentando espiritualidade, e todos irão se admirar do quanto somos consagrados a Deus. Isso faz parte da mentira das religiões. Muitos não são sinceros na sua adoração, porém falsos adoradores. Não basta guardar regras e preceitos a respeito de Deus, é necessário uma vida de adoração. Observe o texto de Isaías 29.13. Milhões de pessoas conhecem bem estes “mandamentos” e regras, mas não conhecem a Deus. Ou seja, não se aproxima de Deus com sinceridade.

Aliás, a palavra “sinceridade” tem uma origem bem interessante. Ser “sincero” significa “estar sem máscara”. Em tempos passados, fabricavam-se máscaras de cera, como as usadas nos grandes festejos dos reis de outrora, nos bailes à fantasia, ou eventos do mesmo tipo. A diversão, nessas ocasiões, consistia em tentar reconhecer o mascarado, sem que esse tirasse a máscara. Então, quando se fazia acordos comercias, perguntavam-se um ao outro: “você é sincero?” Com isso queriam dizer: “você está me escondendo algo atrás da máscara? Com essa pergunta, desejava-se saber se a pessoa com quem lidavam estava sendo “sincera”, ou seja, sem máscara.

Quinto Padrão - a verdadeira adoração é em espírito.

A verdadeira adoração é comunhão de nosso espírito com o Espírito de Deus. Da profundeza do homem interior, como disse Paulo se referindo ao nosso espírito, com o Espírito Santo. E é importante recordar que somos espírito, temos uma alma e vivemos em um corpo. Os verdadeiros adoradores cultuam a Deus com aspecto de seu ser que é mais elevado que o instinto e as paixões físicas. É nosso espírito que está no controle da adoração a Deus, e não nossa carne, nem nossa alma.

Quem adora com a alma, adora com as emoções. Se adorarmos a Deus somente com as emoções, iremos adorá-lo somente quando tudo estiver bem conosco, porque nossa alma só entende a adoração no sentido de satisfação exterior. Quem adora a Deus em espírito, o adora em todo o tempo, independente das circunstancias ao nosso redor ou dentro de nós. Observe alguns textos: Sl 23, 34.1, 145.1-2, Jó 1.20-21-22.

“Se eu te adorar por medo do inferno, queima-me no inferno. Se eu te adorar pelo paraíso, exclua-me do paraíso. Mas se eu te adorar pelo que Tu és, não esconda de mim a Tua face”. Rabia, 800 d.C.

Sexto padrão - a verdadeira adoração é em verdade (obediência a Palavra).

A verdadeira adoração tem que ter base na Palavra. Para adorar em verdade, precisamos conhecer a Palavra, a Bíblia. Porque a verdadeira adoração não nos isenta de usarmos o intelecto. O apóstolo Paulo disse em Romanos 12.1 que temos que ter um culto racional. Aquele que adora sem base na Palavra de Deus está apenas tendo um encontro emocional consigo mesmo.
Veja o que aconteceu quando Neemias pediu a Esdras que lesse as escrituras perante o povo em Jerusalém, Ne 8.5-6: “Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! -, levantando as mãos; inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra”. A verdade de Deus, penetrando nas mentes, levou o povo a se prostrar em adoração.

John Stott diz: “Toda adoração é uma resposta inteligente e amorosa à revelação de Deus, porque é uma adoração do seu nome. Portanto, a adoração aceitável é impossível sem pregação. Pois a pregação é fazer o nome do Senhor conhecido, e a adoração é louvar o nome do Senhor, que se fez conhecido”.

Não pode haver adoração sem obediência à Palavra de Deus. Por isso adorar em geral implica sacrifício. Não é só uma questão de louvor a Deus, mas louvá-lo por meio da nossa resposta imediata às suas demandas. Quando Abraão foi instruído a sacrificar Isaque, disse a seus servos: “Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós .”(Gn 22.5). Abraão sabia que ia matar seu filho; mesmo assim, chamou isso de adoração. Adorar é desejar a Deus mais que a vida de um filho. Não podemos adorar na igreja a menos que durante a semana tenhamos feito certas escolhas muito difíceis a favor de Deus. Falar de adoração sem considerar a entrega é o mesmo que esperar que um avião voe com apenas uma asa.

Sétimo padrão - adoração é uma questão de prioridade (Jo 4.23).

O texto nos diz que o Senhor está à procura dos verdadeiros adoradores. E os verdadeiros adoradores tem fome de Deus e de fazer a Sua vontade. Os cristãos precisam almejar aproximar-se mais de Deus. Se estivermos saciando a sede em fontes proibidas, não teremos razão de esperar que Deus nos dessedente. Se não formos alimentados pelo pão do céu, teremos de nos saciar com as migalhas do mundo. Depois que estivermos viciados no alimento do mundo, nosso apetite por Deus desaparecerá. Por isso que a adoração é uma questão de prioridade em nossa vida, pois ela será:

1º- Sem um lugar específico, nós o adoraremos em todos os lugares.

2º- Nossa adoração sempre será dirigida à Deus.

3º- Nós o adoramos em espírito e em verdade porque nós o conhecemos.

4º- O Senhor irá procurar os verdadeiros adoradores irá nos encontrar o adorando.

5º- Nós o adoraremos em espírito.

6º- Nós o adoraremos de acordo com a Sua Palavra.

7º- A nossa adoração será sempre uma prioridade em nossas vidas.

CONCLUSÃO

Deus, através de Jesus, deu aquela mulher imoral o privilégio de adorar. Independentemente de seu passado de fracassos, a adoração era uma possibilidade para sua vida. Agora, Ele estende o mesmo convite a nós. Ele está aguardando a nossa resposta.

Pr. Silas A. Figueira.