segunda-feira, 21 de junho de 2010

UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE


Por Miguel Silva

A unidade é um dos principais temas abordados por Paulo na carta aos coríntios ao que parece que estava havendo um grande desentendimento sério nessa igreja. Paulo percebe que as contendas dos coríntios ainda não resultaram em cismas e que precisa chamar a igreja de volta a um relacionamento vivo com o Senhor e que deveria fazer isso de forma pastoral e positiva. Assim se dirige a eles como seus irmãos. Paulo exorta aos membros da igreja em corinto para que se entendam uns com outros, que confessem de modo unânime a Fé em cristo e permaneçam em paz uns com os outros.

Paulo neste versículo (I Cor 1:10. b) não esta pedindo uniformidade de pensamento, mas sim uma atitude de amor que se empenha por harmonia e paz. Eles são excitados a trabalharem juntos em unidade de mente e julgamento. Paulo escreve: ...“estejam unidos tanto na disposição mental quanto no parecer¨... o termo disposição mental esta relacionado ao poder de observação e a palavra parecer a formar um jugamento ou uma opinião igual. Paulo quer que eles estejam unidos em suas observações e seus julgamentos e que abandonem seu sectarismo. É importante observarmos, no entanto, que tipo de unidade Paulo esta lhes recomendado. Não é uma unidade que se busque a qualquer preço, mesmo que para isso seja comprometida verdades fundamentais. Muito menos é uma unidade nos mínimos detalhes, que implique afastar-se de qualquer um que deixe de por um ponto no “i” ou cortar todo “t”. È sim uma unidade no evangelho, nas coisas essenciais do evangelho.

Essa tendência de sectarismo e de fragmentação sempre esteve presente na igreja. infelizmente não foi sugada da igreja mais continuou a fruí dentro dela ao longo dos séculos. Sempre que passamos as páginas dos livros históricos, observamos que muitos desentendimentos houveram entre os teólogos. Muitos desses desentendimentos estavam relacionados a temas secundários, questões essas que não tinham importância para igreja.


Os exemplos de questões que levavam muitos a debaterem severamente eram: Qual é o sexo dos anjos? devemos ceiar todas as vezes que nos reunirmos?o que fazia Jesus na sua infância?devemos usar piano no culto solene? Como devemos batizar?Qual tipo de pão devemos usa na ceia (com fermento ou sem fermento)?Qual era o nome da esposa de Caim e como era maca que DEUS colocou em Caim? Quem criou o mal?E muitas outras questões ridículas que várias vezes chegaram a serem ¨resolvidas¨ no braço ou na espada. Essas questões só surgiram no seio da igreja para saciar a curiosidade infantil de muitos que não se conformavam com aquilo que foi revelado pela escritura. Insistiam em querer respostas para suas dúvidas, e quando não encontravam, eles criavam opiniões absurdas. Queriam a qualquer custo que as pessoas acatassem como verdade absoluta as suas pseudas verdades.


Hoje em dia, no entanto, muitos de nossos cristãos evangélicos não hesitam em ceder á tendência patológica em nossas convicções sobre unidade invisível da igreja como ser a unidade visível da igreja não importasse. E o resultado disso tudo é que o diabo sempre acaba ganhado. Se há algo que necessitamos muito, é uma dose maior de discernimento que nos permita distinguir entre as verdades essenciais do evangelho, que não podem serem comprometidas, e as adiaphora (questões indiferentes) sobre as quais, por serem de importância secundária, não precisamos necessariamente insistir em debatê-las. O que se poderia incluir hoje na categoria dos adiaphora? Apresento aqui quatro sugestões colocadas em forma de perguntas.


O Batismo: o batismo deve ser por imersão ou por aspersão?


A Santa Ceia: devemos ceiar em todos os cultos ou não?

Governo de Igreja: o sistema de igreja deve ser episcopal, presbiteriano ou congregacional?

Culto: há lugar para instrumento musical no culto, e é possível combinar o formal com informal?

Essas questões secundárias a respeito das quais nós podemos dar a cada um liberdade de consciência, deixam intactas as verdades cristãs primárias, especialmente aquelas que têm a ver com a pessoa e obra de Cristo, como as questões definidas no credo apostólico e no credo Niceno. Como também, as grandes doutrinas da reforma protestante. Nesta verdade nós temos de insistir: na combinação entre unidade em verdades primárias e liberdade em verdades secundárias, preservando o amor em todas as situações. Podemos sintetizar o que paulo quis dizer em forma de provérbio : ” na verdade, unidade; na questões duvidosas, liberdade, e em todas as coisas, caridade”.


Eu espero que este texto possa contribuir de alguma forma para unidade cristã. Ao acabar de ler esse texto você deve fazer-se uma pergunta:O que nos liga como igreja cristã?